Home Estratégia 2026 começa em 2025: O real motivo da antecipação das eleições
Estratégia

2026 começa em 2025: O real motivo da antecipação das eleições

Compartilhar
Compartilhar

Por: Oarlem Sena

Um movimento incomum e pouco codificado pelos críticos jornalísticos (grande parte da imprensa) e até mesmo pelos técnicos da comunicação política no Brasil está centrado na antecipação do processo eleitoral. Este fenômeno foi considerado por muitos um fato isolado nas eleições de 2024, quando, cerca de um ano e meio antes do início jurídico do pleito (16/08/2024), os pré-candidatos já começaram a se mostrar ao público em uma busca desenfreada pelo voto.

Neste artigo, vamos desbravar esse fato, mostrando de forma clara e analítica que esse movimento se perpetuará no Brasil. Isso significa, sobretudo, duas coisas: uma ampla profissionalização do nosso mercado e que o político que “desce do palanque” após as eleições está com os dias contados na vida pública.

O fim da “Lua de Mel”

Quando comecei no mercado (que não nos ouçam, mas já se vão décadas… risos), os eleitos viviam uma constante lua de mel com seus eleitores que perdurava por mais de dois anos. Enquanto isso, os derrotados passavam o mesmo período — ou até mais — curando suas feridas. Daí surgiram expressões como: “A porca mordeu a cabeça de fulano”. O político derrotado praticamente virava um “morto-vivo”, perambulando e tentando entender os motivos da derrota.

Há pelo menos uma década e meia, com o surgimento e a proliferação do marketing digital a serviço da política, essa pirâmide sofreu uma grande inversão. Já não há períodos longos para o “eterno namoro” dos eleitos, nem tempo ou vontade para os não-eleitos ficarem lambendo hematomas. A próxima batalha é logo ali. As reações são quase imediatas e a melhor forma de mostrar força é seguir em frente.

Comunicação de Mandato vs. Assessoria de Imprensa

Mas Sena, o que isso tem a ver com a profissionalização do processo eleitoral? Simples.

Tínhamos como uma quase “verdade absoluta” que, durante o mandato, a comunicação serviria apenas como assessoria de imprensa — o que podemos classificar como comunicação informativa ou não-persuasiva. O papel era apenas informar o cidadão (não mais visto como eleitor naquele momento) e não persuadir.

Nessa época, o Consultor Político atuava nas campanhas e era “congelado” por dois anos. Confesso a vocês: eu me sentia entrando em uma câmara de criogenia, de onde saía milagrosamente dois anos depois, “pronto” para novos desafios. Mas vamos pensar: em uma ciência que evolui e envolve a cada dia, onde somos testados várias vezes em um único dia, como era a performance após esse período sombrio? A resposta é simples: complicada!

A era da conexão e da mentoria

Naquela época, sem a conexão oportuna da web, nosso intercâmbio de experiências se dava somente pelos livros — principalmente os do Mestre Carlos Augusto Manhanelli (In memoriam) — e pelos seminários, dos quais ficamos órfãos após sua partida.

Contudo, nossa geração, após a popularização de redes como YouTube e Instagram, começou um movimento importante. Hoje atuamos com excelência independentemente de ser ano eleitoral. O Brasil possui o maior processo eleitoral simultâneo do mundo democrático: com exceção de Brasília e Fernando de Noronha, elegemos prefeitos, vice e vereadores em mais de 5.500 municípios de um país continental.

A propaganda é a alma do “game”

Portanto, caros amigos e alunos, é fundamental entender que, ao vencer uma eleição, além de gerir ou legislar, não podemos deixar de nos comunicar persuasivamente. A propaganda é, sim, a alma do jogo.

No ano passado, presenciei casos atônitos ao realizar mais de 60 diagnósticos, da Amazônia ao Sul, passando pelo Nordeste e Sudeste. Vi prefeitos eleitos que não investiram o valor de um picolé em suas comunicações de mandato. Vi vereadores que praticaram o assistencialismo a ponto de terem a energia de suas casas cortadas, mas que não conseguiram mostrar com clareza as ações que de fato beneficiaram a população. Eles focaram apenas em “ações de vaidade”, buscando aplausos de asseclas que dizem “amém” para estratégias inconsistentes.

Conclusão

Entendam: comuniquem-se com frequência e de forma assertiva. Combatam as narrativas adversárias e estejam sempre atentos à gestão de crise. Nós, consultores políticos, estamos prontos para desenvolver ferramentas personalizadas para combater as anomalias do seu mandato e preparar sua campanha para 2026.

Meu mestre sempre dizia que Consultor Político é como vinho: os baratos darão uma grande dor de cabeça no dia seguinte. Termino agradecendo a um colega pela admiração e por usar minha frase: “Caro mesmo é perder a eleição”. Quem copia, admira.

Um forte abraço e até o próximo papo!


Oarlem Sena é Consultor Político com Atuação Internacional, Escritor do livro Os Fundamentos do Novo Marketing Eleitoral (Editora Fonte de Papel), Palestrante, Mentor e criador da Mentoria Mandato Estratégico.

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts relacionados