A conta chegou. Enquanto as cúpulas partidárias duelam por fatias bilionárias do Fundo Eleitoral, o brasileiro médio deu o veredito: “não me sinto representado por ninguém”.
Por Evaldo José Bazeggio
Um editorial da Folha de S.Paulo, (30.12.2025) baseado em dados atualizados do Datafolha, traz um diagnóstico amargo para a nossa democracia: metade da população brasileira simplesmente não possui uma legenda de preferência. O divórcio entre o cidadão e a urna parece ter passado da crise para o abandono total.
O Abismo da Representatividade
Se você acha que a política brasileira virou um “Fla-Flu”, os números mostram que a maioria das pessoas nem sequer quer entrar no estádio.
- O PT e sua bolha: O Partido dos Trabalhadores segue liderando a preferência (24%), mas estagnado em um teto que não parece furar o núcleo duro da esquerda.
- O PL e o fator “Dono”: O partido de Valdemar Costa Neto cresceu (12%), mas vive sob a sombra de um único nome: Jair Bolsonaro. Sem o personalismo, o que sobra é uma estrutura burocrática.
- O “Centrão” invisível: Siglas como MDB, PSD e União Brasil controlam cidades e orçamentos gigantescos, mas não habitam o coração (ou a mente) do eleitor. São vistos como cartórios de luxo, úteis para a gestão, mas nulos na ideologia.
Por que o desinteresse é perigoso?
O editorial faz um alerta necessário: quando os partidos se tornam apenas máquinas de gerir verbas e distribuir cargos, a política morre. O vácuo deixado pela falta de propostas reais é preenchido por:
- Líderes messiânicos: Que prometem soluções mágicas fora do sistema.
- Radicalismo digital: Onde o debate de ideias é substituído por memes e ataques.
- Apatia absoluta: Onde o cidadão desiste de cobrar quem o representa.
O diagnóstico é claro: Ou os partidos voltam a discutir os problemas reais — como o custo da cesta básica e a segurança na esquina de casa — ou continuarão sendo apenas siglas vazias sustentadas por dinheiro público.
A pergunta que fica é:
Você ainda consegue citar três propostas reais de um partido brasileiro que não sejam focadas apenas em ganhar a próxima eleição? Se a resposta for “não”, você faz parte da maioria que cansou de ser figurante nesse teatro.
Gostou dessa análise? Compartilhe e comente: você ainda acredita na renovação dos partidos atuais ou precisamos de algo totalmente novo?
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